Haribo: os famosos ursinhos de goma são supostamente produzidos por trabalhadores escravizados

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Carlos Laforet Coll
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Histórias de escravidão e exploração, é o que estaria escondido atrás dos famosos ursinhos de goma da conhecida marca Haribo, comercializada em todo o mundo. Trabalhadores mal pagos ficaram sem água para dormir ao ar livre. A denúncia contra a empresa foi entregue após a exibição de um documentário alemão.


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Histórias de escravidão e exploração, é o que estaria escondido atrás dos famosos ursinhos de goma da conhecida marca Haribo, comercializada em todo o mundo. Trabalhadores mal pagos ficaram sem água para dormir ao ar livre. A denúncia contra a empresa foi entregue após a exibição de um documentário alemão.




Levante a mão se você não provou pelo menos uma vez na vida, um dos famosos ursos coloridos e gelatinosos com sabor de frutas ou todas as suas variantes: animais de fazenda ou até dinossauros e até flamingos.

Doces que contêm açúcar, xarope de glicose, amido, aromas de frutas, corantes, ácido cítrico e gelatina, mas que são todos revestidos por fora com uma fina camada de cera carnaúba.
Esse ingrediente garante que eles fiquem brilhantes e que não grudem uns nos outros na embalagem: um componente que poderíamos definir acessório e que é produzido a partir de folhas de palmeira.

E é justamente por trás da coleta dessas folhas que se escondem histórias incríveis de exploração dos trabalhadores, a ponto de falar em escravidão.

As revelações são o resultado de uma investigação realizada pela televisão pública alemã Ard no programa de investigação 'Verificação de marca' (Controle de marca) que descobriu que a cadeia produtiva que leva os ursos às gôndolas não é tão linear.

A carnaúba é produzida no Brasil, principalmente em estados muito pobres como Piauí, Ceará, Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte, onde os trabalhadores, muitos deles menores, recebem de dez a doze dólares por dia por 8 horas de trabalho braçal, forçados a vivem ao ar livre ou em caminhões, sem água potável e saneamento.

Mas não é só isso, sua própria vida é continuamente prejudicada pelas ferramentas que usam para coletar as folhas: foices amarradas a longos paus. Após a divulgação das imagens veiculadas no documentário, a empresa Haribo agora está supostamente sob investigação exploração de pessoas e animais.

Haribo: carnaúba feita de gelatina

Como sabemos, os doces Haribo são os mais famosos do mundo, aliás a empresa é líder mundial no mercado no setor de confeitaria, mas isso seria fruto de um trabalho no limite da escravidão realizado por trabalhadores que vivem próximo às plantações de cera de carnaúba. Esse tipo de cera geralmente é encontrado em óleo de carro, graxa de sapato e protetor labial.



Tudo isso também foi testemunhado por um funcionário brasileiro do Ministério do Trabalho que revelou que nos últimos tempos houve muitas reclamações sobre a indústria da cera de carnaúba e que muitas pessoas foram encontradas trabalhando em condições que poderiam ser descritas como di escravidão, com trabalhadores tratados pior do que os animais».

O problema também diz respeito a outro ingrediente: gelatina feita de gordura animal. A empresa de doces Haribo contaria, na Alemanha, com fazendas em que os animais são empilhados uns sobre os outros. As imagens falam por si: porcos cobertos de fezes e feridas e forçados a viver ao lado dos cadáveres daqueles que não sobreviveram.

Tudo isso, justamente para produzir a geleia de doces feita de ossos de porco. Tanto a produção de cera quanto a de geleia são gerenciadas por produtores que venceram o contrato da Haribo: em palavras simples, são empresas terceirizadas que vendem os produtos para a confeitaria.

A resposta de Haribo

Após a difusão da investigação pela rede ARD alemã, chegou a resposta do Haribo.

“Gostaríamos de salientar que estamos extremamente preocupados com algumas das imagens mostradas. As condições nas fazendas e plantações de suínos brasileiras mostradas são insuportáveis. Nossa atitude fundamental nesse sentido é: os padrões sociais e éticos são indivisíveis e inegociáveis”, disse um porta-voz da Haribo.

Uma resposta que sugere que a empresa não estava ciente dessa triste realidade, tanto que diz ter enviado os gestores de sua comissão qualitativa para verificar as condições das plantações e fazendas que fornecem a cera de carnaúba e a gelatina.

“Somos a empresa que quer levar alegria para crianças e adultos, por isso não podemos aceitar que nossos padrões sociais e éticos sejam ignorados”, continuou o porta-voz.



No entanto, há quem não acredite na boa-fé da empresa, mas neste ponto a última palavra caberá ao judiciário que está investigando para entender de quem são as responsabilidades.

Infelizmente, estas não são as únicas histórias de exploração:

  • O ESCÂNDALO DAS CRIANÇAS SÍRIAS EXPLORADAS EM FÁBRICAS DE VESTUÁRIO: AS EMPRESAS ENVOLVIDAS
  • ISTO ESTÁ POR TRÁS DO ÓLEO DE PALMA SUSTENTÁVEL: EXPLORAÇÃO INFANTIL E VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS
  • OVETTI KINDER: POR TRÁS DAS SURPRESAS ESCONDE A EXPLORAÇÃO E A ESCRAVIDÃO (FOTO)

Dominella Trunfo

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